O Canadá detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo, e algumas estimativas apontam que poderá ocupar o segundo lugar. Tornou-se no principal fornecedor de energia dos Estados Unidos e ambiciona ser também o maior fornecedor para outros países. Atualmente, produz cerca de 1,5 milhões de barris por dia, valor que deverá duplicar ou triplicar na próxima década. O principal objetivo dos projetos de oleodutos canadianos é o mercado asiático, com destaque para a China.
LOS ANGELES, CA (Catholic Online) — «Prevemos que o Canadá atinja quase cinco milhões de barris diários até 2025-2026», afirma Greg Stingham, vice-presidente da Associação Canadiana de Produtores de Petróleo, responsável pelas areias petrolíferas e mercados. «Pretendemos colocar dois milhões de barris por dia do Canadá em novos mercados, e é por isso que temos um grande interesse na expansão.» O Canadá vive uma situação de impasse: o seu petróleo destina-se quase exclusivamente ao vizinho do sul, enquanto a produção nas areias petrolíferas cresce rapidamente. Esta realidade cria um excesso de oferta para os produtores de Alberta, que contam com poucas alternativas de oleodutos.
«O mercado é limitado», explica Werner Antweiler, professor de Economia na Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver. «Atualmente, a diferença de preço pode chegar aos 30 dólares por barril. Assim, as empresas petrolíferas perdem quantias consideráveis todos os dias, pois não recebem o preço internacional, mas sim um valor inferior.»
A solução passa por novos mercados e diversificação. O porto de Kitimat, uma pequena localidade canadiana, será o ponto final do projeto de oleoduto Northern Gateway. Este transportará petróleo da província de Alberta, rica em recursos energéticos, para ser exportado em grandes navios-tanque para a Área Asiática. O projeto, orçado em 5,5 mil milhões de dólares e proposto pela empresa Enbridge, especializada em oleodutos, terá capacidade para transportar 525 mil barris de petróleo por dia, caso seja aprovado.
O Northern Gateway é apenas um de vários novos projetos de oleodutos destinados a escoar o petróleo bruto canadiano para novos mercados. Outra empresa, a Kinder Morgan, propôs um traçado desde Alberta até Vancouver, paralelo a um oleoduto já existente, mas de menor dimensão.
O leste do Canadá importa atualmente a maior parte do seu petróleo de países como a Nigéria, o Iraque e, mais recentemente, o Brasil.
«Nos últimos três ou quatro anos, registou-se um grande interesse por parte da Ásia, nomeadamente da China, Japão, Coreia e até da Tailândia», refere Stingham. «O interesse não está concentrado num único destino, mas o maior mercado é, sem dúvida, o chinês.»
Paralelamente, crescem as preocupações com a expansão da indústria petrolífera canadiana. Um relatório recente do Instituto Pembina, um centro de estudos dedicado à energia sustentável, alerta que o rápido crescimento do setor está a atrelar o valor da moeda canadiana ao preço do petróleo. Com a valorização do dólar canadiano, aumentam os custos de produção industrial, tornando as exportações menos competitivas. Nos últimos anos, as zonas industriais do centro do Canadá, especialmente no Ontário, registaram uma forte queda de postos de trabalho devido à subida da moeda nacional.
«Embora o Canadá esteja a explorar a sua vantagem comparativa na extração de recursos naturais, a velocidade desta transformação coloca desafios significativos ao centro do país, dificultando a adaptação a mudanças estruturais muito rápidas na economia», indica o instituto Pembina. O relatório acrescenta que «o resultado é uma variante canadiana da doença holandesa, designada por “febre das areias petrolíferas”, que cria claros vencedores e perdedores na economia nacional e representa um risco para a competitividade do Canadá na economia de energia limpa em ascensão.»